Black Sabbath X Royal Blood – Parte II

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Hoje acontecerá a primeira edição do Clube do Vinil deste ano, com a escuta dos álbuns Paranoid e Royal Blood. Nessa publicação, você irá conhecer mais sobre o álbum Royal Blood.

Royal Blood é o álbum de estreia homônimo do duo britânico, e assim como a carreira dos rapazes é rápido e energético. Mike Kerr (baixo e vocal) e Ben Thatcher (bateria), formaram a banda no final de 2012 e sua trajetória não pode ser descrita como nada menos que meteórica. Após o lançamento de um EP em 2013, a dupla arrebatou fãs ilustres como Jimmy Page, Matt Helders do Arctic Monkeys e Lars Ulrich, do Metallica.  E com apenas esse EP na bagagem, tocaram festivais “chaves”, como o Reading Festival, Glastonbury, Big Weekend da BBC Radio 1 em Glasgow e outros.

Seu álbum de estréia foi lançado em agosto de 2014, produzido pelos próprios rapazes juntamente com Tom Dalgety. O álbum possui dez faixas, que somam juntas 32 minutos e 38 segundos de um som cru, com objetividade e energia de sobra. A produção do alvo não fez uso de nenhum tipo de sample ou “overdubbing”, sendo a maioria do material do álbum gravado em apenas um take, transformando o som em algo mais orgânico, natural.

O buzz criado pela carreira meteórica do duo deu certo e Royal Blood se tornou o álbum de estréia mais vendido da Inglaterra dos últimos três anos. Ficaram apenas com 20 mil cópias a menos no mesmo período que o grande campeão dos últimos 20 anos, o Definitely Maybe, do Oasis. Além de outros prêmios como: “Best Vinil Art 2014” e “Best British Group” no Brit Awards 2015.

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O álbum começa com “o pé na porta” que é a música Out of The Black. Já conhecida do público, ela foi o primeiro single do duo e título do EP lançado em 2013. De acordo com Mike Kerr, é a música que melhor resume o som da banda. Sua letra foi uma das primeiras que Kerr compôs e segundo ele: “É uma letra bem raivosa, sobre o sentimento de ser traído de uma forma muito ruim, e de onde menos se espera”.

Sem perder o embalo de riffs rápidos e fortes, Come on Over é a segunda música do álbum e se baseia nas experiências de Kerr com a sua criação extremamente católica. Mike encerra a música com o verso: “There’s no God and I don’t really care (Não existe um Deus e eu realmente não me importo)”, como que uma frase de conclusão dessa fase de sua vida e seu crescimento. A música, que inicialmente era tocada por Mike em um violão acústico em suas antigas bandas, ganhou a versão do álbum através de ideias do baterista, Ben Thatcher. Graças a ele, a música ganhou os riffs certeiros e a distorção no baixo, que é a marca característica da banda.

Falando em riff certeiros, Figure it Out nos traz a lembrança dos riffs do stoner rock inglês da década de 1970. A música, que foi um dos singles do álbum, curiosamente é a menos preferida da dupla. Mike Kerr já admitiu em entrevistas que “é uma música muito boba” e “que riu muito quando a tocou a primeira vez”. Realmente a terceira música do álbum não entrega o melhor do duo em questão de letras, mas seu ritmo não deixa de ser contagiante.

You Can Be So Cruel chega e com ela percebemos a imensa influência do Queens of The Stone Age na sonoridade da banda. Seja através dos riffs que a encaixariam facilmente entre uma das músicas dos álbuns Songs For The Deaf e Era Vulgaris, ou o vocal quase que arrastado de Kerr, que já falou abertamente ser fã de Josh Homme e sua banda.

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Royal Blood no T in The Park, 2014

Depois da enérgica You Can be So Cruel, a banda desacelera o ritmo do álbum com Blood Hands uma quase balada sobre o sentimento de culpa. Lenta, faz você sentir o peso de cada nota e te desafia a acompanhar cada palavra cantada. Mostra também a influência de Jack White, com quem são frequentemente tão comparados.

Em Little Monster, Mike presenteia o ouvinte com vocais furiosos e um “bassline” impecável, ao mesmo tempo em que Thatcher faz um trabalho meticuloso na bateria. Também podemos perceber em Little Monster a ideia de que apesar de só possuir dois integrantes, o Royal Blood quer ser “alto” e não explorar tanto o minimalismo, como fazem a maior parte dos duos musicais.

Sétima música do álbum, Loose Change que se encerra com o som de moedas caindo no chão, traz a distorção do baixo de Kerr ao seu máximo. Os riffs são curtos e acompanhados da sempre pontual bateria de Thatcher.

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Chegando aos últimos 15 minutos do álbum, temos Careless, que nasceu da tentativa de Kerr de colocar cordas de guitarras em seu baixo. A música também demonstra a ideia de um som orgânico, que a banda tanto desejou no álbum. De acordo com Kerr, a gravação de Careless foi um dos melhores momentos do álbum.

Se a gravação de Careless foi o momento mais divertido, de acordo com Kerr, Ten Tonne Skeleton foi o mais difícil. A penúltima música do álbum possuiu diversas versões até se tornar a que podemos ouvir. Assim como Come on Over, Mike já havia escrito as letras da canção antes da criação do Royal Blood.

O álbum se encerra com Better Strangers, que curiosamente, foi a última música escrita pela banda para o álbum. Foi a primeira experiência de Kerr de escrever uma música durante a rotina de turnê. Better Stranges tem parte da sua inspiração vinda de uma fala na peça de Shakespeare, “As You Like It” que é: “I do desire we may be better strangers (Eu gostaria que fossêmos mais estranhos um ao outro)”. Mike considerou um “ótimo insulto” e disse se encaixar no conceito da música que fala sobre se decepcionar tanto com uma pessoa que você gostaria de te-lâ conhecido um pouco menos. Seu solo também torna difícil acreditar que Mike Kerr realmente não usa uma guitarra, e sim um baixo em suas gravações. E essa característica especial é um dos melhores trunfos da banda.

Como dito lá no início, Royal Blood foi um álbum de estreia muito bem recebido pela crítica e pelo público. Traz influências claras de bandas como Led Zeppelin, Queens of The Stone Age, The White Stripes, Black Sabbatah e outras. A influência desse último sempre foi abertamente divulgada seja pela banda, ou pelos próprios críticos. Ela se tornou mais explícita durante a passagem da dupla pelo Rock In Rio do ano passado, onde tocaram parte do clássico riff de Iron Man antes de Out Of The Black. Em entrevista pós-show, Kerr justificou a escolha dizendo que era “um dos riffs preferidos de todos os tempos”.

E hoje a noite você vai ter a oportunidade de homenagear a clássica Black Sabbath, e conhecer melhor essa dupla britânica que continua arrebatando crítica e público com apenas seu álbum de estréia!

Ben Thatcher quer você no Clube do Vinil hoje.
Ben Thatcher quer você no Clube do Vinil hoje.
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