“Moving Pictures” (Rush) versus “Absolution” (Muse) – Parte II

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Em 2003, Muse já tinha lançado dois álbuns. Um deles, o elogiado e queridinho dos fãs, “Origin of Symmetry” (2001). Era um poderoso álbum de space rock com influências de funk music (Hyper Music) e uma releitura rock de um clássico do jazz (Feeling Good). Mas Muse era, pra muitos, apenas um novo Radiohead. Em um contexto de melancolia e entre bandas como Coldplay e Doves, isso até fazia sentido. Mas Matt Bellamy (vocais, guitarra e piano), Chris Wolstenholme (baixo e backing vocals) e Dominic Howard (bateria) queriam dominar o mundo, e a mídia mal podia imaginar o que estava por vir.

Eles dedicaram tempo só para a criação do novo álbum – ao contrário dos anteriores, compostos durante turnês – e chamaram Rich Costey (Rage Against the Machine, Fiona Apple) para a produção. O esforço compensou. “Absolution” reinventou e definiu o som e a temática das letras da banda, levando crítica e fãs ao delírio e dividindo o título de ‘melhor álbum da banda’ com seu predecessor. Ao mesmo tempo, com influências pop, o álbum levou o Muse ao sucesso comercial.

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Após a intro que remete a soldados marchando, um piano explosivo anuncia o fim dos tempos: ‘declare this an emergency!’. É a bombástica Apocalypse Please, que ironiza o sensacionalismo em torno do tema, e as religiões que parecem esperar ansiosas por ele (Apocalipse). Time is Running Out é a primeira faixa explicitamente pop da banda, e foi seu primeiro hit mundial, estreando no top 10 britânico. Influenciada por Billie Jean, de Michael Jackson, suas batidas e forte linha de baixo quase dão vontade de fazer um moonwalk, e é um ponto alto de shows.

Sing for Absolution, uma das letras mais pessoais de Matt, introduz um lado mais doce do álbum, como nas baladas Falling Away With You e Endlessly. As últimas faixas introduzem o som mais eletrônico e pop que aparece nos álbuns seguintes, como em Undisclosed Desires (The Resistance, 2009). Elas mostram seu lado romântico até então pouco explorado, em frases como ‘hopelessly, I’ll love you endlessly’ – influência de sua intensa relação com a então namorada, a italiana Gaia Polloni. Stockholm Syndrome é o ponto mais pesado do álbum, cheia de distorções e influenciada por System of a Down. Com vocais dramáticos, tem letra intensa (e alguns juram ouvir uma mensagem subliminar ao tocá-la de trás pra frente).

Uma Interlude bem similar à introdução da faixa Resistance (2009) precede a funky e bombástica Hysteria. Ambas são exemplos de como a banda sempre retoma experimentações de anos anteriores, assim como fazem no bônus Fury, originada em 2000. Centrada na linha de baixo, Hysteria começou a surgir em Futurism, b-side do álbum anterior, se tornando um grande hit e uma das favoritas ao vivo, com um solo de guitarra eletrizante. Ela retorna ao tema “relacionamentos”, mas sob uma ótica mais obsessiva e desesperada.

Blackout e Ruled By Secrecy soam um pouco como o álbum Showbiz (1999), ou a faixa Megalomania (2001), com influências como música clássica e Jeff Buckley, mas agora mais elaboradas e com elementos novos como mandolim. Com o piano de Ruled By Secrecy, aliás, não tem como escapar: lembramos de Radiohead. A complexa e desafiadora Butterflies and Hurricanes surpreende com um intrincado solo de piano clássico. A letra traz urgência e incentiva o ouvinte: ‘mude tudo o que você é, sua hora é agora’, como uma história de superação. As aceleradas The Small Print e Thoughts of a Dying Atheist apontam para as inseguranças de Matt sobre religião e a existência de um Deus, com um pouco de ironia.

Até hoje Absolution figura em listas dos melhores, como as da NME, e é tido como o divisor de águas na carreira da banda. Ficou curioso pra conhecer, ou já é um dos fãs apaixonados e quer ouvir com a gente? Vem curtir o Clube do Vinil Muse x Rush na terça, 14 de Abril, às 18:30, na sala 305 do bloco A, no Gragoatá.

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