Os vinis no Brasil e a Polysom: entrevista com Gian Uccello

Produção Vinis na Polysom. Créditos da foto: site http://www.oesquema.com.br/

A Polysom é a única fabrica de Vinil na América Latina.

A Fábrica foi criada em 1999, quando outras empresas estavam abandonando o formato do vinil para vender/produzir exclusivamente CDS. Dessa forma, a Polysom conseguiu equipamentos de segunda mão (de outras empresas) com certa facilidade.

Uma curiosidade: o que sustentou a Polysom, foram as vendas para Igrejas Evangélicas. Mas, com o tempo, a empresa foi conseguindo clientes mais diversificados.

Em 2007, a empresa entrou em crise e encerrou suas atividades, mas retornou em 2009. Após os proprietários da Deckdisc notarem que havia um aumento da venda de Vinis a partir de 2008 nos EUA e na Europa. Assim, conseguiram recuperar os equipamentos antigos da Polysom, reformaram o prédio de Areia Branca, em Belford Roxo, e a reativaram.

Jacques Costeau.

A seguir, a entrevista que Jacques Costeau, aluno de Estudos de Mídia e integrante do Clube do Vinil, registrou com Gian Uccello, atual responsável pelas vendas de vinis.

Devido a problemas técnicos, não conseguimos publicar a entrevista antes, já que esta foi feita em agosto. Mas, continua sendo um tema atual e, por sua vez, com questões ainda relevantes.

Jacques: A Polysom é a única fábrica de vinil no Brasil.

Gian: Isso.

Jacques: Como era esse paradigma antes dela abrir/reabrir?

Gian: No caso, reabrir. No caso, ela foi comprada pelo grupo da DeckDisc em 2009 e desde então ela passou dois anos ainda se rearrumando porque ela estava completamente sucateada. Então, depois do desafio de se montar e fazer funcionar a fábrica, foi mais um desafio: se atingir uma qualidade mínima do vinil para que os consumidores tivessem um bom produtor nas mãos e depois de dois ou três anos [a fábrica] conseguiu chegar nesse ponto, vamos dizer, quase que perfeito. E aí, a Polysom voltou ao mercado com força e coincidiu com esse retorno do mercado do vinil que estamos vendo hoje em dia.

Jacques: Você tem dados sobre o crescimento do mercado de vinil? O que impulsionou esse olhar [do consumidor] para o vinil?

Gian: Eu estava vendo agora, por acaso, o trailer daquele programa “Minha Loja de Discos” sempre pra onde a cultura vai, alguém vai na direção contrária. Então pra onde a cultura foi com o MP3 um grupo de pessoas foi na direção contrária. E qual é o contrário? O vGian:inil. Então eu acho que é isso. Acho que o movimento começou com um grupo de pessoas insatisfeitas ou a fim de conhecer aquilo com o que não teve contato, principalmente os mais jovens que não tiveram contato com o Vinil. Entender o que é um vinil, o que é uma agulha, o que é um sulco, o que é o atrito que vai produzir um som que não é binário e também todo um aspecto mais técnico da qualidade do som que não tem compressão, etc. Acho que foi um pouco essa busca de tentar entender o que era o passado e ver que era legal e que não tinha nada de errado com o Vinil. Só era questão de transportar, mas o som é infinitamente superior.

Jacques: O que faz esse som ser infinitamente superior?

Gian: Eu não vou saber explicar pormenores técnicos, mas é a questão de compressão de arquivos e de faixa de som. Você consegue ver graficamente, se você colocar a mesma música no MP3 e a mesma música no Vinil, você consegue ver que o Vinil consegue atingir faixas mais altas e mais baixas que na compressão do MP3.

Jacques: O Vinil sempre foi um objeto muito utilizado pelos DJs e tem muitos voltando a usar. Você acha que isso tem alguma coisa a ver com essa volta [do Vinil]?

Gian: Acho que não tanto assim porque os DJs usam, em geral, versões estendidas das faixas. É difícil ver um DJ que toca disco original. Lógico que alguns tocam, mas acho que eles não conseguiriam impulsionar o mercado dessa forma. Acho que foi mais uma volta do formato mesmo, das pessoas estarem cansadas de ouvir o som ruim do MP3.

Jacques: E o mercado no Brasil continua crescendo?

Gian: O mercado no Brasil continua crescendo. A Polysom cresceu de 2012 para 2013 mais de 30% segue um pouco a linha do mercado lá fora que cresceu 36%, principalmente o mercado americano. E é um mercado que está crescendo todo mês. A gente vê o crescimento não só pelas próprias vendas, como vários artistas que encomendam a fabricação fechada na fábrica e distribuem por eles mesmos, através de shows e nos próprios sites.

Jacques: Última pergunta. Além da Polysom, quais são os outros grandes nomes do mercado de vinil, não só fábricas, mas empresas que vendam, distribuidoras?

Gian: No Brasil, o grande, sem dúvida nenhuma, é a Polysom, por ser uma fábrica,  a Locomotiva em São Paulo já é uma rede de três lojas que eles importam muito. Então ele têm uma variedade muito grande não só de discos nacional, como de discos importados. E discos brasileiros que só existem no exterior eles trazem bastante também. Lá fora, continuam aquelas lojas tradicionas: a Rough Trade em Nova Iorque [por exemplo], que são lojas que estão mantendo essa tradição.

Gian Uccello

Uma boa observação é que Gian em um momento de sua fala afirma que o som do Vinil é infinitamente superior, e isso é realmente uma questão atual e muitos defendem a qualidade do vinil, mas vale a pena ressaltar que existem opiniões que defendem que isso é bastante questionável devido a algumas discussões que o Clube do Vinil já abordou neste blog (leia o post aqui).

Pedimos desculpas pela demora da publicação. E, claro, O Clube do Vinil não poderia deixar de agradecer a honra de entrevistar alguém tão influente no mercado do Vinil.

Sobre o próximo encontro: estamos liberando dicas da próxima sessão de escuta comentada. Não deixem de conferir na nossa page:

https://www.facebook.com/clubedoviniluff 

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