20 anos de: “Dog Man Star”

dog_man_star_-_deluxe_2cddvd-14256187-frntlSuede foi a banda inglesa mais badalada do começo dos anos 90. Em 1992, não haviam lançado um álbum sequer e foram considerados pela revista Melody Maker: a melhor nova banda da Grã Bretanha.

Formado por Brett Anderson, Bernard Butler, Simon Gilbert e Mat Osman, o Suede era nada mais que um revival da clássica cena glam rock dos anos 70. Influenciados intensamente por David Bowie, T-Rex, Roxy Music e também pelo post-punk dos anos 80, com o Smiths, deram o ponta pé inicial no movimento que ficou conhecido como Britpop – com os concorrentes destoantes Blur, surgindo na mesma época. O Oasis viria pouco depois.

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A banda era polarizada em duas estrelas: Brett Anderson era uma figura andrógena, com cortes de cabelo que intrigaram todos os britânicos, e um cantor extremamente técnico e melodramático. Bernard Butler foi imediatamente considerado o melhor guitarrista britânico desde Johhny Marr. Singles como “Drowners” e principalmente “Animal Nitrate” colocaram a banda no mapa.

O primeiro álbum do Suede saiu em 1993 e foi um grande sucesso de crítica e vendas, ficando em #1 nas charts do RU. O som do Suede era sombrio, sexual e libertino. Drogas, traição, bissexualidade eram temas recorrentes de um álbum novo, mas que soava como um clássico e encheu os britânicos de orgulho da sua música, em uma época onde o grunge explodia dos EUA para o mundo.

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A expectativa cresceu para o lançamento do segundo álbum do Suede. Em 1994, Blur e Oasis explodiram e o Britpop estava mais em alta do que nunca. Novos sucessos como Pulp, The Verve, Supergrass, Elastica e Sleeper invadiam o indie e o mainstream do país.

E o Suede se afundava, devido a problemas com drogas e principalmente, distúrbios entre Anderson e Butler. O single avulso de “Stay Together” saiu e os desentendimentos acerca do polêmico vídeo da música só pioraram o clima da banda.

Brett Anderson se trancou em uma mansão victoriana, tomou quantidades industriais de drogas e escreveu todas as letras do álbum. A banda se juntou para gravar o álbum em Londres e as tensões só aumentaram. Ele foi concluído com uma óbvia casualidade: Bernard Butler deixou a banda antes do término das gravações. Restou ao próprio Anderson gravar as guitarras de “The Power”, única faixa que restava.

Suede_New_GenerationBrett Anderson não gostou nada dessa ideia de “Britpop”. Ele rejeitou o cargo que a mídia lhe dava de “salvador do orgulho britânico”, algo que acabou sendo atribuído logo depois a Damon Albarn, do Blur.

Para contrariar o regionalismo do movimento, ele escreveu as letras de Dog Man Star ambientadas na Hollywood clássica, dos anos 40 e 50 – exatamente onde a Inglaterra começou a ser culturalmente americanizada.

A faixa “Daddy’s Speeding” era para o ator James Dean; já “Heroine”, para Marilyn Monroe. Os singles “We’re The Pigs”, “The Wild Ones” e a glam-bowiey “New Generation” foram lançados, nessa ordem.

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O problemático segundo álbum da banda, como de costume em situações do tipo, não teve o sucesso comercial merecido, mas maravilhou todos os críticos britânicos e virou o favorito da maioria dos fãs. 20 anos depois, Dog Man Star é considerado uma obra-prima do rock britânico.

Simplesmente porque o Suede colocou toda a ambição de sua carreira no disco. Todas as faixas do álbum foram extremamente produzidas com arranjos de cordas ou sopros. A inspiração tomou conta de todos os integrantes; Bernard Butler criou riffs e solos que viraram referência na cena indie pelos próximos anos.

Faixas como “We Are The Pigs”, “This Hollywood Life” e “New Generation”, cheias de glamour e decadência, remetiam ao glam da forma mais imediata e visceral possível: “Quero o estilo de uma mulher e o beijo de um homem”; a banda estava num período tão criativo que faixas hoje favoritas dos fãs, como “My Dark Star” e “Killing Of A Flashboy” ficaram de fora do disco.

O tom sombrio, trágico e melodramático estava no ar mais do que nunca, como no piano melancólico do lamento “The 2 Of Us”, ou nas orquestradas “The Power”, “Still Life” e uma das mais queridas dos fãs, “The Wild Ones”, mostrando a influência de Scott Walker no som do Suede, assim como antigos filmes de Marlon Brando – mas Brett não cantava como um americano, e sim como um típico inglês da Inglaterra pós-guerra que sonhava em ir a Hollywood.

Suas letras, por sinal, estavam no ápice – em “The Power”, ele viaja por todos os continentes do mundo, em “New Generation” ele canta como porta-voz de uma nova geração. Seu coração está partido em todas as baladas e a poesia, inspirada por Oscar Wilde, é dramática e doída.

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A voz, tão afetada, de Brett Anderson é um dos grandes motivos para Dog Man Star ser a obra-prima que é. Do barítono de “The Wild Ones” até o falsete da exagerada, no bom sentido, “Black or Blue”, ele sobra, mostrando um diâmetro invejável e uma técnica impressionante.

De todas as faixas, talvez a mais impressionante deste álbum que festeja 20 anos tão consagrado como clássico seja o épico de quase 10 minutos chamado “The Asphalt World”.

A letra de Anderson é minuciosamente torturada, descrevendo o desespero relacionado a tempo e espaço dentro de um triângulo amoroso, que era público que envolvia ele, Damon Albarn e Justine Frischmann – Onde ela vai, o que ela está fazendo, e como ela se sente quando está perto de você?

A progressão da narrativa, dos taxis frios em subúrbios de Londres ao sexo cruel e vingativo, sem deixar de usar ecstasy no caminho, é impressionante. Osman e Gilbert, impecáveis, sustentam Bernard Butler, que faz o maior, nos dois sentidos, solo de sua carreira.

O melhor resumo de toda a intensidade da banda e da singularidade trágica e romântica que fazem de Dog Man Star uma obra-prima do art-rock.

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