10 álbuns para entender o Britpop

Hoje acontecerá a terceira edição do Clube do Vinil neste semestre, com a escuta comentada do clássico Parklife, lançado pelo Blur em 1994. Todos estão convidados para o evento que acontecerá às 18:30h, na sala 305 do Bloco A, do Campus de Gragoatá da UFF, em Niterói.

Em aquecimento para a escuta, o blog do Clube do Vinil preparou uma lista de 10 álbuns para entender o Britpop, principal movimento musical da Inglaterra nos anos 90.

10 – Supergrass – “I Should Coco” (1995)

i should coco

 

“I Should Coco”, o primeiro álbum do Supergrass, saiu em 1995 e foi aclamado pela crítica e pelo público. Um sucesso comercial, embalados pelo hit “Alright”, os meninos de Oxford promoviam um passeio pela história da Inglaterra com influências de Beatles, Buzzcocks, The Kinks e Bowie até bandas mais recentes como o próprio Blur, com um som enérgico e hiperativo.

09 – Elastica – “Elastica” (1995)

elastica

Justine Frischmann, front-woman do Elastica, namorou Brett Anderson, do Suede e na época do álbum, namorava Damon Albarn, do Blur. Chamada de “Rainha do Britpop” pelos tabloides ingleses, ao contrário da “equivalente” Courtney Love nos EUA, Justine não usufruiu em nada musicalmente de seus casos amorosos. O Elastica soava completamente diferente do Blur ou do Suede e sua combinação de músicas curtas e cativação new wave garantiu vendas, críticas empolgadas e muito amor dos ingleses. E no final das contas, o Elastica vendeu mais nos EUA do que o Blur (pré Song 2) ou o Suede.

08 – Manic Street Preachers – “Everything Must Go” (1996)

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De País de Gales, os Manics eram um quarteto sombrio, marxista e underground durante seus três primeiros álbuns. Deixaram de ser um quarteto quando Richey Edwards, que sofria de alcoolismo, depressão, anorexia e auto-mutilação, desapareceu e nunca mais foi encontrado. O sumiço amoleceu o coração da banda, que seguiu como trio e encontrou um toque pop sem perder seu peso. O resultado é que os Manics, a partir dali, chegaram ao mainstream, se tornando um sucesso comercial inesperado. O premiado “Everything Must Go” foi gravado logo após o sumiço do integrante e o título é auto-explicativo.

07 – Radiohead – “The Bends” (1995)

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Antes de mergulhar na música eletrônica, o Radiohead era uma banda de rock convencional. Após uma estreia “one-wonder-hit”, eles subiram muitos patamares com o segundo álbum, “The Bends”, que no auge do Britpop, foi extremamente aclamado. Embora não seja frequentemente associado com o movimento, faixas como “Fake Plastic Trees” e “High & Dry” soam enraizadas nele. Era o começo de um grande culto entorno do Radiohead; The Bends é um dos álbuns mais aclamados da banda e muita gente sente falta da delicadeza melódica da banda que mais tarde mergulharia no experimentalismo.

06 – The Verve – “Urban Hymns” (1997)

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Hit no underground, o The Verve vivia conflitos internos e tinha “acabado” anos antes de lançar Urban Hymns. Gravado em meio a conflitos, o disco saiu em 1997 e tornou-se simplesmente um dos álbuns mais vendidos da história da Inglaterra. A introdução no violino de Bittersweet Symphony é até hoje reconhecida imediatamente, mas também causou problemas judiciais à banda ao samplear ilegalmente uma faixa dos Rolling Stones. “The Drugs Don’t Work” saiu ao mesmo tempo que a Princesa Diana morreu e capitou a tristeza de uma nação. Misturando psicodelia e orquestras, Urban Hymns não evitou outro fim do The Verve, mas levou suas carreias a um ápice inesperado.

05 – Oasis – “Definitely Maybe” (1994)

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O primeiro álbum dos irmãos Gallagher é considerado um dos melhores álbuns de estreia da história do rock. Comandados pelo mais velho, Noel, que escrevia todas as músicas, “Supersonic” e “Live Forever” viraram hinos não-oficiais da Inglaterra e a banda virou um fenômeno pop não visto há décadas no Reino Unido, com o som mais rock n’ roll do que seus contemporâneos, abusivamente influenciado pelos Beatles, que logo estaria enchendo estádios pelo mundo a fora.

04 – Suede – “Suede” (1993)

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Ignorando o grunge e a enxurrada de hard rock americano que tocava nas rádios da Inglaterra, Brett Anderson foi o primeiro, ao lado de Damon Albarn, a começar a resgatar a “Inglesidade” das bandas de rock britânicas. Contrariando tudo que fazia sucesso em 1993, ele apareceu maquiado e andrógeno, remetendo ao glam rock dos anos 70, sem ignorar a obscuridade post-punk de anos antes. Ele rebolava nos clipes de “Animal Nitrate” e “Drowners” e sua parceria com o guitarrista Bernard Butler foi comparada nada menos a dupla Lennon/McCartney.

03 – Pulp – “Different Class” (1994)

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Após anos na obscuridade, o Pulp enfim tinha estourado com o anterior “His N Hers”, mas foi em “Different Class” que a banda de Jarvis Cocker teve sua grande obra-prima. Com uma teatralidade raramente vista até então em bandas independentes, Cocker retratava o cotidiano, tanto da classe média quanto da classe operária, com um dos comentários sociais mais precisos da música pop. O ápice de tudo isso foi “Common People”, para muitos, o hino oficial do Britpop, a história da filha de um homem rico que queria viver que nem “gente comum”. Javis Cocker, que chegou a ser chamado de “Woody Allen inglês”, virou uma estrela na Inglaterra, ganhando seu próprio espaço na TV britânica, tamanha sua capacidade de contar histórias.

02 – Blur – “Modern Life Is Rubbish” (1993)

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No primeiro álbum, Leisure, Blur era apenas mais uma banda “baggy” a imitar o Stone Roses e o movimento shoegaze que bombava no underground do começo dos anos 90. A necessidade de se reinventar para sobreviver levou Damon Albarn, líder da banda, a, nas palavras do baixista Alex James, “inventar o Britpop”. No ápice do grunge e do industrial nos EUA, o Blur renasceu e fez um passeio na história da Inglaterra para remontar seu som a partir de Beatles, Bowie, The Small Faces, Kinks, Syd Barrett, Scott Walker, The Jam e tantos outros grandes da música inglesa pós-invasão britânica em um álbum com muitas cores e estilos diferentes – todos ingleses. As letras do álbum atacavam a vida moderna – vide o título do álbum, da letra de For Tomorrow: “Desligue a TV e faça um chá, a vida moderna é um lixo!”, glamorizava a classe operária, falava sobre “andar no parque e encontrar um soldado que lutou por nós em duas guerras mundiais” e claro, atacava os EUA e sua hegemonia – o título de trabalho do álbum era “Britain vs America”. Modern Life Is Rubbish foi o primeiro álbum do Britpop e graças a ter sido lançado no auge da popularidade do grunge, foi um fracasso comercial, apenas 20 mil cópias vendidas. Mas o tempo faria justiça ao primeiro grande álbum do Blur – que começava uma trilogia de clássicos lançados pela banda.

01 – Blur  – “Parklife” (1994)

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Tudo que Damon, Graham, Alex e Dave fizeram em Modern Life is Rubbish foi elevado à última potência em “Parklife”. O caleidoscópio musical de Parklife é ainda mais variado, cheio de ritmos, cores e sons diferentes do que de seu antecessor – e do que qualquer outro álbum do movimento. A versatilidade da banda fica evidente no synthpop de “Girls & Boys”, que virou um hit tanto nas rádios quanto nas pistas de dança; as letras de Albarn também estavam mais inteligentes do que nunca, escrevendo em cima de personagens e desenvolvendo ainda mais profundamente sua visão sobre a vida moderna e sobre o mundo de 1994 – outro grande hit do álbum, a faixa título criticava a obsessão da sociedade em entrar em forma. Durante o álbum, psicodelia (Far Out), synthpop (London Loves), hardcore (Bank Holiday), music-hall (To the end), new wave (Trouble in the message centre), glam rock (Jubilee), pop (End of a century), valsa (The Debt Collector) e vários outros gêneros eram explorados com sucesso, o que levou os críticos a considerarem o Blur uma das bandas mais artisticamente completas da sua geração. Um álbum que capitou o senso da sua época, Parklife é o segundo de uma trilogia que seria completada com The Great Escape – para depois, o Blur se reinventar completamente mais uma vez. Seu legado é gigante: após seu lançamento, várias bandas inglesas do undeground chegaram ao mainstream, e até hoje o rock alternativo inglês está em alta, muito graças a algo que “Parklife”, 20 anos atrás, realizou.

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